O hábito de leitura está ameaçado. Na sexta pesquisa “Retratos da leitura no Brasil”, apenas 47% dos brasileiros se declararam leitores, uma queda de cinco pontos percentuais entre 2019 e 2024. Nesse contexto, quem são as pessoas que mantêm vivo o costume no País? E como esse comportamento resiste entre os catarinenses?
Saiba mais sobre o hábito de leitura no Brasil e em Santa Catarina:
- o número estimado de leitores no País é 93,4 milhões;
- mais de 60% dos catarinenses afirmam ler livros;
- Santa Catarina tem o maior percentual de leitores no Brasil;
- mulheres, pessoas das classes A/B e com ensino superior leem mais.
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O retrato da leitura no Brasil
“A leitura alimenta a alma”, disse o pensador francês Voltaire. Esse talvez seja um dos poucos hábitos que todos concordem ser benéfico. No entanto, em vez de o Brasil formar leitores, o País os está perdendo.
Os “Retratos da leitura no Brasil”, do Instituto Pró-Livro, estimaram uma população leitora de 93,4 milhões de brasileiros em 2024. Isso representou 11,3 milhões de leitores a menos que em 2015.
Mesmo entre os leitores o costume está enfraquecendo. A média de livros lidos em 12 meses por esse público caiu de 9,08 em 2019 para 7,91 em 2024. Já a média de livros lidos por ano entre todos os entrevistados ficou em 3,96 em 2024, mas somente 2,07 foram inteiros.
5 motivos por que o hábito de leitura no Brasil está em queda.
O hábito de leitura em Santa Catarina
Apesar desse panorama difícil para a leitura no Brasil, Santa Catarina tem o maior percentual de leitores entre os estados brasileiros.
Na sexta edição dos “Retratos”, 64% dos catarinenses afirmaram ter o hábito de leitura. O desempenho ficou muito acima da média nacional, de 47%.
Esse número é próximo do encontrado pelo Sebrae SC na pesquisa “Retrato do Consumidor”, realizada nos municípios de Blumenau, Chapecó, Criciúma, Florianópolis, Joinville e Lages em 2025. Na média estadual, 62% dos catarinenses declararam-se leitores, ainda que eventualmente.
Mas esse público está distribuído de maneira desigual pelo Estado. Em Florianópolis, 71,6% das pessoas com 16 anos ou mais são leitoras. No outro extremo, em Chapecó, 57,2% afirmaram ter o costume de ler.
População leitora nas principais cidades de Santa Catarina:
- Florianópolis: 71,6%
- Joinville: 63,7%
- Lages: 59,5%
- Criciúma: 58,7%
- Blumenau: 58,6%
- Chapecó: 57,2%
Essa diferença está relacionada à maior concentração de pessoas das classes A e B e de residentes com ensino superior na capital. Quanto maior a renda e o nível de escolaridade, mais forte é o hábito de leitura, de acordo com o levantamento do Instituto Pró-Livro e também segundo a pesquisa Hábitos Culturais, do Instituto Datafolha para a Fundação Itaú.
Por outro lado, um aspecto que pouco interfere nesse costume em Santa Catarina é a faixa etária do público.
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Mulheres leem mais que homens
Além da renda e da escolaridade, o gênero é outra característica marcante no público leitor.
As mulheres leem mais que homens no Brasil. O retrato da leitura feito pelo Instituto Pró-Livro mostra que o País tem um número estimado de 50,4 milhões de leitoras, ante 42,9 milhões de leitores do gênero masculino.
A pesquisa Hábitos Culturais também aponta que 55% das entrevistadas leram livros impressos nos 12 meses anteriores ao levantamento, contra 51% dos entrevistados homens.
Essa diferença é perceptível aqui em Santa Catarina, de acordo com os dados do Sebrae SC: enquanto 67,1% das catarinenses têm o hábito de leitura, 56,6% dos homens no Estado podem dizer o mesmo.
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As barreiras para o hábito de leitura no Brasil
É fato que a diversidade de mídias digitais disputa a atenção da leitura. Mas esse não é o principal motivo para os brasileiros estarem lendo menos.
Inclusive, os “Retratos da leitura no Brasil” revelam que o público leitor é mais conectado que o não leitor. No tempo livre, 87% dos leitores no País gostam de usar a internet, em comparação com 70% dos não leitores. Os brasileiros que leem ainda têm maior preferência por se ocupar com atividades como ver vídeos ou filmes em casa, escutar podcasts, reunir-se com outras pessoas, praticar esportes e até jogar videogames.
As maiores barreiras são, na verdade, a falta de tempo (citada por 33% dos não leitores) e a falta de gosto pela leitura (mencionada por 32%). Nesse sentido, a pesquisa destaca novamente o papel das mulheres na formação do hábito de leitura no Brasil, porque a mãe ou a responsável do sexo feminino são apontadas como as principais figuras de influência na formação do gosto por ler entre os brasileiros com esse costume, mais até que os professores.
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