Cervejarias catarinenses despontam no mercado nacional

Cervejarias catarinenses despontam no mercado nacional

30/07/2021

Aos poucos, o gosto do brasileiro por cerveja vem se transformando. O costume da Pilsen vai dando lugar a uma tendência mundial pelo consumo de bebidas com maior intensidade de aroma, sabor e textura. E é nesse mercado em expansão que as cervejarias catarinenses têm brilhado.

Hoje, o pequeno estado de Santa Catarina firma-se como um dos gigantes na produção de cerveja nacional. Esse status é conferido sobretudo pela qualidade das marcas independentes, que representam 96% das fábricas de cervejas registradas no Brasil. O produto catarinense conquista apreciadores não só no País, como no mundo todo.

Confira os destaques das cervejarias catarinenses a seguir.

Setor cervejeiro de Santa Catarina cresce durante a pandemia

Santa Catarina tornou-se em 2021 o estado com maior proporção de cervejarias por pessoa em todo o Brasil. Há uma para cada 41.443 catarinenses, ultrapassando assim o Rio Grande do Sul, com 44.275 habitantes por cervejaria.

A liderança é resultado do crescimento do número de cervejarias catarinenses apesar da pandemia. Em 2020, o Estado contou 175 fabricantes do setor cervejeiro, acima das 148 registradas em 2019. Os dados são do Anuário da Cerveja, do Ministério da Agricultura.

Santa Catarina e São Paulo empatam no maior aumento proporcional de fabricantes. A alta foi de 18,2%, portanto superando a média brasileira de 14,4%.

O mercado cervejeiro catarinense é o quarto em número total de cervejarias por estado, mas está muito próximo de subir ao top 3 no Brasil. Existem 175 delas em Santa Catarina, três a menos do que as 178 de Minas Gerais, terceiro lugar no ranking.

Em todo o País, foram registradas 1.383 cervejarias no Anuário da Cerveja.

Esse crescimento durante a pandemia é explicado pelos investimentos que começaram ainda em 2019 ou antes. O cenário agora deve ser de uma expansão mais lenta no setor, até a completa retomada das atividades prejudicadas pela pandemia, mas Santa Catarina seguirá se firmando no topo do mercado nacional.

Leia também: Segmento de bares e restaurantes pode melhorar em 2021?

Lúpulo para produção da cerveja catarinense. (Foto via Freepik)

Cervejarias catarinenses são premiadas

A produção de cerveja em Santa Catarina é destaque não só pelo número de cervejarias no Estado, mas também pela qualidade das bebidas aqui produzidas. As cervejas catarinenses são premiadas nacionalmente e internacionalmente.

No âmbito nacional, a Cerveja Blumenau foi eleita a segunda melhor cervejaria no Concurso Brasileiro de Cervejas 2021. O lugar no pódio foi conquistado em disputa com 467 cervejarias, ao todo, e a marca ainda garantiu nove medalhas para seus rótulos na competição.

Outras representantes catarinenses também levaram medalhas de ouro, prata ou bronze na competição, como a Blauer Berg, a Nordus Cervejaria, a Unika, a Das Bier Cervejaria, a Kill Brew, a Lothbrok Cervejaria, a Lohn Bier, a Cerveja Stannis, a Armada Cervejeira e a Cervejaria Santa Catarina.

A Cervejaria Cozalinda, além de um ouro na categoria Ale Styles no Concurso Brasileiro de Cervejas 2021, trouxe uma medalha de prata no Brussels Beer Challenge 2020, realizado na Bélgica. Já a Al Fero Birrificio e a Lohn Bier foram premiadas no World Beer Awards 2020, sendo a Lohn Bier considerada a melhor do mundo na categoria Flavoured Herb and Spice.

Esses prêmios das cervejarias catarinenses vêm confirmar um fato incontestável: os produtos mais elaborados e a produção independente caíram no gosto do público.

Leia também: Veja as soluções em comunicação da NSC para gastronomia

Santa Catarina rumo à produção autossuficiente

No ano de 1516 foi estabelecida por Guilherme IV da Baviera, região que hoje compõe a Alemanha, a Lei da Pureza da Cerveja. Os únicos ingredientes permitidos para sua fabricação eram água, malte de cevada e lúpulo — a levedura ainda não era conhecida.

Esses quatro componentes, abrindo-se mais possibilidades de malte, como o de trigo, continuam sendo o padrão de qualidade da bebida. Mas há um problema: o Brasil importa 3,6 mil toneladas de lúpulo de países como Alemanha, Estados Unidos e República Tcheca, enquanto produz apenas 60 toneladas. 

Pelo menos, essa era a realidade do setor cervejeiro no Brasil até então.

Algumas iniciativas têm desenvolvido a produção nacional de lúpulo. Uma das mais importantes ocorre em Santa Catarina, mais especificamente em Lages, na Serra Catarinense. O projeto é conduzido pela Ambev, em colaboração com os produtores locais que já cultivavam o item, embora em escala reduzida.

O objetivo é estimular o cultivo em solo brasileiro e fazer todo processamento de lúpulo na região. Os produtores receberão as mudas como incentivo, além de poderem contar com auxílio técnico e contrato de compra da produção. Estima-se que o projeto beneficie cerca de 500 famílias no Estado até 2026.

Da iniciativa da Ambev já foram produzidas duas cervejas: a Green Belly, em parceria com a Lohn Bier, e a Brazilian Blonde Ale, em conjunto com nove microcervejarias catarinenses.

O estímulo à produção de lúpulo em Santa Catarina pode contribuir ainda mais com o desenvolvimento das cervejarias catarinenses. Isso deve trazer uma grande economia para os fabricantes, especialmente diante de um dólar elevado.

Veja agora mais destaques dos setores catarinenses que estão em alta.