O mercado imobiliário brasileiro entra em 2026 com um misto de otimismo e cautela. De um lado, a previsão de queda dos juros e a manutenção da força do programa Minha Casa, Minha Vida apontam para um cenário favorável. De outro, o crescimento econômico mais modesto, as incertezas do ano de eleição e as mudanças na procura do público exigem estratégia do setor. Acompanhe os detalhes a seguir!
Destaques do mercado imobiliário no Brasil em 2026:
- a previsão de redução de juros deve atrair o público de médio e alto padrão;
- mas é o Minha Casa, Minha Vida o principal responsável mover o setor à frente;
- o segmento de locações também se mantém aquecido ao longo do ano;
- enquanto o menor crescimento do PIB e as eleições afetarão o último trimestre.
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5 tendências para o mercado imobiliário no Brasil em 2026
1) Juros em queda e crédito mais acessível
O Boletim Focus de 12 de dezembro de 2025 aponta uma expectativa de redução da Selic para 12,50% em 2026. Essa queda na taxa básica de juros, combinada com a perspectiva de menor inflação e dólar mais fraco, deve criar um ambiente favorável para a demanda nos segmentos de médio e alto padrão, segundo as projeções da Brain Inteligência Estratégica e da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (ABRAINC) apresentadas no relatório “Perspectivas 2026: o que esperar do mercado imobiliário brasileiro”.
Esses públicos, que se mantinham em espera devido aos juros elevados, devem voltar ao mercado com a melhoria nas condições de financiamento.
Um ponto de atenção é a desaceleração do crescimento econômico em 2026. O Banco Central prevê a alta do produto interno bruto (PIB) na casa de 1,6%, enquanto a Confederação Nacional da Indústria projeta um aumento de 1,8%. Isso pode frear novos lançamentos em alguns momentos do ano.
Jornada de compra de imóvel deixa apenas 48% satisfeitos.
2) MCMV continua como motor do setor
O programa Minha Casa, Minha Vida mantém sua posição de destaque no mercado imobiliário do Brasil.
Os indicadores da ABRAINC e da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) mostram, inclusive, que o MCMV sustentou o crescimento das vendas no setor em 2025. No acumulado de janeiro a setembro, o volume total vendido subiu 1,1% e o valor das vendas cresceu 2,4% na comparação com o mesmo período do ano anterior. Mas, não fosse o programa habitacional, os resultados teriam sido negativos.
Resultados das vendas de janeiro a setembro de 2025:
- Volume do MCMV: +7,4%
- Valor do MCMV: +8,6%
- Volume de médio e alto padrão: -20%
- Valor de médio e alto padrão: -3,4%
O relatório “Perspectivas 2026” prevê a manutenção da força do MCMV em todas as suas faixas. Para as incorporadoras, isso significa que projetos voltados a esse público seguirão com boa demanda.
3) Sustentabilidade e segurança climática
Segundo um levantamento da ABRAINC realizado ainda em 2021, 56% dos consumidores já estavam dispostos a pagar mais por um imóvel sustentável.
De lá para cá, a busca por sustentabilidade se juntou à procura por conforto térmico e maior segurança diante dos fenômenos climáticos extremos que vêm afetando o Brasil. Por exemplo, o calor excessivo já é apontado por 64% dos brasileiros como um fator de impacto na decisão de mudar de imóvei, de acordo com a Brain Inteligência Estratégica. Enchentes e falta de água são outras preocupações relevantes no setor.
Isso também move uma tendência de quiet luxury, ou luxo silencioso, mais sustentável em imóveis de médio e alto padrão. Materiais naturais e recicláveis, sistemas passivos de resfriamento e ventilação, energia verde e reaproveitamento de água são parte da nova riqueza.
Mercado imobiliário: 49% dos brasileiros têm intenção de compra.
4) Movimentos específicos do mercado imobiliário
Entre 2010 e 2022, a participação dos domicílios locados no total do País cresceu 27%, segundo o IBGE. Agora em 2026, o descompasso entre os preços de venda dos imóveis e a renda das famílias nas capitais deve seguir favorecendo a locação.
Há, com isso, um fortalecimento da procura pelo acesso ao produto ou serviço de moradia em vez da posse do imóvel. Residências funcionais, bem localizadas e com áreas de convivência ganham a preferência sobre grandes metragens.
Um nicho relevante nesse cenário é o de senior living, com projetos adaptados para um público mais maduro, facilitando a mobilidade, o cuidado com a saúde e as relações sociais.
Outro movimento interessante no mercado imobiliário são os projetos co-branded, com a cooperação entre marcas famosas em imóveis de alto padrão. Balneário Camboriú é palco dessa tendência, com empreendimentos como o Senna Tower (FG Empreendimentos + Senna), o Tonino Lamborghini Residences (Tonino Lamborghini + Embraed) e o Yachthouse by Pininfarina (Pininfarina + Pasqualotto>) ganhando destaque.
5) Cautela e expectativa
Apesar dos sinais positivos, o ano exige estratégia. Uma economia menos aquecida e o cenário eleitoral devem gerar certa volatilidade no mercado imobiliário no Brasil. Inclusive, o relatório prevê que o último trimestre de 2026 não deve concentrar negócios.
Contudo, espera-se que a demanda esteja mais aquecida que a oferta, devido à baixa taxa de desocupação e à intenção de compra em alta. Até setembro de 2025, 48% dos entrevistados pela Brain tinham interesse em comprar um imóvel dentro de 24 meses.
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