Descarbonização: o que é e dicas para reduzir a emissão de carbono

Descarbonização: o que é e dicas para reduzir a emissão de carbono

A Organização Meteorológica Mundial espera que o aquecimento médio do planeta supere entre 2025 e 2029 a faixa de 1,5 °C em relação à era pré-industrial. Pode parecer pouco, mas cada fração de grau tem o poder de intensificar os eventos climáticos extremos, como tempestades, ondas de calor e secas. Para evitar tal cenário, muitas empresas estão comprometidas com a redução do impacto ambiental, principalmente por meio da descarbonização. E a sua?

Saiba o que é descarbonização e como implementá-la:

  • as organizações buscam neutralizar as emissões de gases do efeito estufa;
  • isso engloba desde as emissões próprias até as relacionadas ao consumo;
  • grandes e pequenas empresas já estão adotando práticas mais sustentáveis;
  • muitas anunciaram planos de se tornarem carbono zero até 2050.

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O que é descarbonização?

A descarbonização é o processo de reduzir drasticamente as emissões de gases de efeito estufa (GEE) na atmosfera.

A diminuição desses gases é um compromisso internacional firmado em 2015 no Acordo de Paris, hoje adotado por quase 200 países. Muitos desses países, inclusive, estabeleceram a meta de alcançar até 2050 o patamar de emissões líquidas zero de GEE.

Já temos algumas palavras-chave para entender o que é descarbonização. A primeira delas é a da redução, pois o completo corte é impossível. Somente pela respiração, uma pessoa produz cerca de um quilo de dióxido de carbono (CO₂) por dia.

É por isso que as empresas com foco na sustentabilidade miram na neutralidade de sua pegada de carbono. Ou seja, por meio de iniciativas de captura, redução e compensação de GEE na atmosfera, procuram equilibrar o impacto delas no meio ambiente, alcançando o estágio de carbono zero.

O primeiro passo, então, é realizar um inventário de carbono para saber o nível de emissão da empresa. A partir disso, elabora-se a estratégia nestes três escopos de atuação:

  • Escopo 1: emissões diretas das operações próprias;
  • Escopo 2: emissões relacionadas à geração de electricidade, aquecimento, resfriamento ou vapor;
  • Escopo 3: emissões indiretas, abrangendo toda a cadeia de valor, até as emissões relacionadas ao consumo.

Também é importante frisar que a descarbonização não se refere apenas ao CO₂, apesar do nome. Outros gases de efeito estufa incluem o metano, o óxido nitroso, o hexafluoreto de enxofre, o trifluoreto de nitrogênio, os perfluorocarbonetos e os hidrofluorcarbonetos.

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As áreas com maior emissão de gases do efeito estufa

Como vimos, o dióxido de carbono é apenas parte do problema. Algumas atividades podem até registrar uma baixa emissão de CO₂, mas apresentam uma enorme produção de outros gases, como demonstra o estudo “The net-zero transition”, da McKinsey.

  • Geração de eletricidade e calor: responde por 30% das emissões de dióxido de carbono e 3% de óxido nitroso.
  • Indústria: responde por 30% das emissões de dióxido de carbono, 33% de metano e 8% de óxido nitroso.
  • Transportes: respondem por 19% das emissões de dióxido de carbono e 2% de óxido nitroso.
  • Prédios e casas: respondem por 6% das emissões de dióxido de carbono.
  • Agricultura e pesca: respondem por 1% das emissões de dióxido de carbono, 38% de metano e 79% de óxido nitroso.
  • Silvicultura: responde por 14% das emissões de dióxido de carbono, 5% de metano e 5% de óxido nitroso.
  • Lixo: responde por 23% das emissões de metano e 3% de óxido nitroso.

É por isso que a descarbonização exige das empresas iniciativas mais amplas do que só economizar energia ou reduzir o consumo de papel. Ela passa pelo uso de fontes de energia que não envolvam combustíveis fósseis, por meios de transporte mais limpos e eficientes, pela escolha de fornecedores ambientalmente responsáveis, por uma logística reversa que funcione, entre outros fatores.

Descarbonizar significa pensar mais profundamente sobre a sustentabilidade e o impacto dos negócios ao longo de toda a cadeia.

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Dicas para reduzir ou equilibrar a emissão de GEE

Grandes empresas no Brasil têm planos de reduzir drasticamente a emissão de CO₂ e outros gases do efeito estufa. A Ambev, por exemplo, quer ser carbono zero até 2040. Já a Natura tem essa meta prevista para 2050.

Entretanto, o relatório anual de descarbonização da PwC aponta em 2025 que empresas menores também estão abraçando esse compromisso com a sustentabilidade.

Aqui estão algumas dicas para descarbonizar seu negócio:

  • Fontes de energias mais eficientes e renováveis: a boa notícia é que 93% da energia produzida no Brasil já é considerada limpa.
  • Transportes e logística sustentáveis: por outro lado, o País ainda é muito dependente do transporte rodoviário, mas a eletrificação da frota pode reduzir a emissão de GEE.
  • Captura de carbono: é possível obter créditos de carbono, investir em projetos de reflorestamento e proteção da vida marinha, ou até mesmo apostar em tecnologias para evitar a liberação de gases na atmosfera.
  • Eficiência operacional: eliminar desperdícios dentro da cadeia produtiva e usar os recursos naturais de forma mais eficiente são boas iniciativas.
  • Destino dos resíduos: além da redução, é necessário implementar medidas para outros dois R — a reciclagem e o reaproveitamento.
  • Cadeia sustentável: o impacto ambiental de uma empresa vai além da própria fábrica ou escritório. Dos fornecedores ao pós-consumo, tudo deve ser pensado no sentido da descarbonização.

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