Venda de medicamentos em supermercados: o que muda para farmácias?
19/05/2026A Lei n. 15.357/2026 autorizou a instalação de farmácias e drogarias dentro de supermercados, tornando a jornada de compra dos brasileiros na saúde mais integrada e conveniente. Essa medida reconfigura o varejo farmacêutico, mas não significa uma ameaça imediata para as empresas do setor. O que o momento pede é análise, estratégia e adaptação, como mostraremos a seguir.
Sobre a venda de medicamentos em supermercados:
- a nova lei estabelece critérios rígidos para vender remédios no varejo alimentar;
- os consumidores estão divididos sobre essa nova possibilidade de compra;
- as empresas com canais de venda digitais apresentam vantagem competitiva;
- mas a medida pode ajudar na expansão de pequenas farmácias independentes.
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A nova lei e o comportamento de compra em farmácias
A legislação não prevê a simples exposição de remédios nas prateleiras dos mercados. A Lei n. 15.357/2026 estabelece que a farmácia deve funcionar como um espaço separado dentro do supermercado, com área própria e a presença obrigatória de farmacêutico legalmente habilitado.
Muitos supermercados em Santa Catarina já contam com farmácias no mesmo prédio, inclusive do mesmo grupo varejista. A diferença é que o novo modelo cria “uma loja dentro da loja”, com as exigências técnicas e sanitárias do setor sendo mantidas.
Apesar do apelo da maior praticidade, a mudança na jornada de compra tende a ser gradual, até porque os hábitos dos consumidores no mercado farmacêutico estão bem consolidados.
Segundo o relatório “Uso de Medicamentos no Brasil 2026”, do Opinion Box, 85% dos brasileiros compram medicamentos pelo menos uma vez por mês. Além disso, eles já se acostumaram a não depender exclusivamente das lojas físicas. Esse é o canal favorito de menos da metade do público, como aponta a pesquisa.
Canais preferidos para compras de farmácias:
- Loja física: 48%
- Aplicativo: 23%
- Site: 14%
- WhatsApp: 12%
- Telefone: 3%
- Outro: 1%
Então, mesmo com a venda de medicamentos em supermercados, boa parte dos consumidores ainda comprará nas farmácias pela internet.
Mercado de saúde em Santa Catarina movimenta R$ 1,3 bilhão por mês.
Venda de medicamentos em supermercados divide os consumidores
A implementação da nova lei não deve provocar uma virada imediata no mercado porque os próprios consumidores estão longe de um consenso sobre o tema. Os dados do Opinion Box mostram que 41% dos brasileiros são favoráveis à venda de medicamentos em supermercados, 24% são neutros e 35% são contrários à medida.
Entre os que apoiam a mudança, a conveniência é o principal argumento para 62% deles. Também 42% acreditam que isso ampliará o acesso da população a medicamentos e 29% apostam em uma possível redução de preços.
Por outro lado, quem se posiciona contra a lei que permite a venda de remédios em supermercados tem preocupações de segurança. Para 67% dos opositores à ideia, o maior risco é o aumento do consumo sem orientação adequada. O receio de intoxicações aparece em seguida, com 38%, enquanto 31% duvidam da capacidade de os supermercados armazenarem os produtos corretamente.
Outro dado relevante para o mercado de saúde diz respeito aos 22% de entrevistados que temem o impacto nas pequenas farmácias de bairro.
Essa divisão de opiniões sugere que a transformação do varejo farmacêutico será progressiva e que as empresas terão tempo para se adaptar com inteligência.
Dados mostram como os brasileiros procuram cuidar da saúde.
O que as farmácias podem fazer diante da Lei n. 15.357/2026
A transformação pode não ser radical, mas os negócios do setor precisam se preparar para ela, especialmente os pequenos e mais suscetíveis. Estas três medidas mostram um caminho possível.
Fortalecer os canais digitais
O crescimento do delivery farmacêutico é um sinal claro dos rumos do setor. Segundo a Associação Brasileira das Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma), as vendas à distância cresceram 57,7% em 2025 frente ao ano anterior, movimentando R$ 22,6 bilhões. As farmácias que ainda não investem em canais digitais e entregas rápidas perdem uma fatia relevante de mercado.
Considerar parcerias estratégicas
As grandes redes do varejo farmacêutico chegam a esse novo cenário com vantagem competitiva, tanto pela maior presença digital quanto pelo nível de profissionalização. Entretanto, as farmácias independentes têm a oportunidade de firmar convênios para operar dentro dos supermercados. Essa pode ser uma saída para ampliar pontos de venda sem os custos de uma expansão própria.
Investir em serviço como diferencial
O mercado farmacêutico vai além da venda de medicamentos. A orientação qualificada, a segurança na indicação de produtos, os programas de acompanhamento de saúde e a experiência de atendimento são elementos difíceis de replicar em modelos de autosserviço. O diferencial competitivo das farmácias tradicionais está na confiança e no vínculo construído com o consumidor ao longo do tempo.