IA no e-commerce: o futuro do comércio on-line é agêntico?

IA no e-commerce: o futuro do comércio on-line é agêntico?

02/07/2026

A jornada de compra está prestes a passar por uma evolução. Em um futuro próximo, o uso de IA no e-commerce pode ir além da recomendação de produtos e automatizar compras básicas. Essa mudança já tem nome: comércio agêntico. Veja adiante como isso muda a relação entre os negócios na internet e os consumidores.

O que esperar da IA no e-commerce:

  • 76% dos brasileiros pretendem comprar por meio de agentes virtuais;
  • 66% já usam ferramentas de IA para pesquisar produtos e serviços;
  • não à toa, 55% dos empresários devem investir na tecnologia;
  • e 86% pensam ainda não ter atingido todo o potencial de uso dela.

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O que é comércio agêntico?

O termo descreve compras conduzidas por agentes de inteligência artificial que atuam em nome do consumidor, conforme a definição da consultoria internacional McKinsey. Esses sistemas vão além de sugerir produtos, pois são capazes de pesquisar opções em diferentes plataformas, comparar preços e negociar condições. É possível até automatizar o pagamento com a IA no e-commerce, tudo alinhado às preferências do usuário.

Segundo a consultoria, essa dinâmica ocorre por meio de três modelos de interação. No primeiro, o agente conversa diretamente com o site do varejista. No segundo, dois agentes de IA negociam entre si, um representando o consumidor e outro fazendo o papel da marca. Já no terceiro modelo, plataformas intermediárias conectam múltiplos agentes para viabilizar a transação.

Para muitos varejistas, o comércio agêntico altera a dinâmica da loja on-line. O Boston Consulting Group (BCG) destaca que agentes de IA priorizam critérios como preço, avaliação de outros compradores, prazo de entrega e disponibilidade em estoque, muitas vezes acima da fidelidade à marca. A decisão de compra é estritamente lógica.

Para se adequarem a essa realidade, catálogos e páginas de produto devem ser construídos com dados claros e estruturados, de forma que sejam bem interpretados por tais sistemas automatizados, e não apenas por pessoas.

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Brasileiros confiam no comércio agêntico

A inteligência artificial na jornada de compra é realidade no Brasil. Um levantamento da Branddi mostra que 66% dos consumidores brasileiros conectados recorrem a ferramentas de IA para buscar informações sobre produtos e serviços antes de comprar. Mais que isso, 54% já realizaram alguma aquisição influenciada diretamente por recomendações feitas pelos assistentes virtuais.

A adesão ao comércio agêntico tem tudo para se intensificar nos próximos anos. O estudo Agentic Commerce Consumer Study, conduzido pela Visa, indica que 76% dos brasileiros pretendem usar agentes de IA no e-commerce. 

Entre os entrevistados, 67% se declaram muito ou extremamente confiantes em permitir que um agente de IA compre em seu nome. O índice está bem acima da confiança registrada nos Estados Unidos, por exemplo, onde apenas 35% dos consumidores compartilham desse sentimento.

Esses números colocam o brasileiro entre os mais dispostos do mundo a delegar decisões de compra a sistemas autônomos. 

Mas é preciso que tal confiança se reflita na forma como pequenos e médios negócios estruturam a presença digital, já que produtos com informações completas e atualizadas ganham vantagem nas buscas e análises feitas por agentes de IA.

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IA no e-commerce ainda é pouco aproveitada pelas lojas

Apesar do entusiasmo do consumidor, as empresas brasileiras ainda engatinham no uso estratégico da inteligência artificial no comércio on-line. 

A segunda edição da pesquisa “Na Rota do E-commerce”, feita pela Loggi e o Opinion Box, chega a revelar que 86% dos responsáveis por pequenas e médias empresas no País aproveitam a IA apenas parcialmente. As principais barreiras para um avanço mais consistente da tecnologia têm sido a segurança de dados (37%), a falta de conhecimento (33%), a falta de tempo (27%) e a qualidade das respostas (26%).

Hoje, de acordo com o mesmo levantamento, o uso da IA nas empresas de e-commerce concentra-se em marketing e criação de conteúdo (62%), seguido por gestão e planejamento (38%), atendimento (29%) e vendas (24%). 

Isso quer dizer que as aplicações mais comuns são criar ou aprimorar descrições de produtos e gerar anúncios, o que é algo positivo para a contextualização dos produtos diante dos agentes virtuais, mas o comércio agêntico também exige processos mais sofisticados.

O cenário deve mudar em breve. Segundo a Loggi e o Opinion Box, 55% dos empreendedores ouvidos pretendem investir em inteligência artificial nos próximos 12 meses. 

Entre quem já usa a tecnologia no dia a dia, 48% dos entrevistados relatam o aumento na produtividade, 44% notam a melhoria na comunicação e 38% ganham agilidade nas operações. No geral, 71% dos entrevistados afirmam que a IA contribui para o crescimento do negócio.

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