SP2B: 4 insights práticos para empresas que querem crescer sem perder o foco
14/08/2026Em meio a tantas discussões sobre inteligência artificial, tecnologia e transformação, algumas das palestras do SP2B — São Paulo Beyond Business trouxeram questões bastante concretas para quem está à frente de uma empresa: como proteger a marca, experimentar mais rápido, disputar a atenção do consumidor, vender melhor e evitar que produtividade vire apenas mais volume.
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Gustavo Teixeira, diretor de Marketing da NSC, acompanha o SP2B em São Paulo e reúne para o Negócios SC alguns dos principais insights das palestras, com foco no que pode ser aplicado por empresários e lideranças catarinenses.
Entre os conteúdos acompanhados, quatro discussões se destacaram.
1. Antes de correr atrás da próxima tecnologia, cuide da sua marca
Uma das provocações mais interessantes veio de Ndidi Oteh, CEO global da Accenture Song.
Ela chamou atenção para aquilo que definiu como “dívida de marca”.
A comparação é com a conhecida dívida técnica: quando uma empresa escolhe soluções rápidas ou provisórias, acumula uma conta que depois aparece em complexidade, dinheiro e retrabalho.
Segundo Oteh, algo semelhante pode acontecer com a marca. Empresas pressionadas por performance, velocidade e novas ferramentas podem deixar de investir naquilo que sustenta diferenciação e preferência no longo prazo.
“A gente indexa demais a conversa sobre IA como ferramenta e foca pouco no resultado que ela deveria gerar”.
O aprendizado para as empresas é direto: tecnologia precisa estar a serviço de uma estratégia, e não se transformar na própria estratégia.
Oteh trouxe ainda um segundo alerta. Para ela, muitas organizações estão errando pelo excesso de cautela.
“O maior erro que vejo muitas empresas cometendo é que elas se movem devagar demais”.
Em vez de esperar pela solução perfeita, a recomendação é experimentar, aprender e ajustar. Para empresas menores, que muitas vezes possuem estruturas mais ágeis, essa pode inclusive ser uma vantagem competitiva diante de organizações maiores.
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2. Seu maior concorrente talvez nem esteja no seu setor
O empresário Facundo Guerra, responsável por negócios como Bar dos Arcos, Cine Joia e Blue Note São Paulo, trouxe uma leitura interessante sobre concorrência e experiência.
Para ele, um bar já não disputa apenas com outro bar.
“O meu maior concorrente hoje são as big techs”.
Netflix, iFood, Tinder e outras plataformas tornaram permanecer em casa cada vez mais conveniente. Isso obriga negócios presenciais a criar razões mais fortes para alguém escolher sair, se deslocar e dedicar seu tempo a uma experiência.
A provocação vale para muito além da gastronomia.
Uma loja física não concorre apenas com outra loja. Um evento não disputa somente com outro evento. Um destino turístico não compete apenas com outro destino.
As empresas disputam tempo, dinheiro e atenção com todas as alternativas disponíveis ao consumidor.
Nesse cenário, produto, serviço e preço continuam fundamentais, mas experiência ganha importância.
Para empresários e anunciantes, surge uma pergunta bastante prática: o que a sua marca oferece que faz alguém escolher dedicar tempo a ela?
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3. Automatizar um processo ruim pode apenas fazê-lo rodar mais rápido
No campo das vendas, Aaron Ross, autor de Receita Previsível, trouxe um contraponto importante ao entusiasmo em torno da automação.
Tecnologia aplicada sem estratégia pode fazer uma empresa produzir mais, realizar mais atividades e, ainda assim, continuar no mesmo lugar.
Ross resumiu o problema com uma provocação:
“Você não automatizou o sucesso, só deu upgrade na sua roda de hamster”.
Por trás da frase existe uma recomendação bastante prática.
Ross continua defendendo dois fundamentos: especialização das funções comerciais e definição clara de nicho.
Em vez de concentrar prospecção, atendimento de leads, fechamento e relacionamento com clientes na mesma pessoa, o modelo propõe especialização. E, em vez de tentar vender para todo mundo, a empresa deveria identificar os clientes que realmente geram mais retorno e concentrar energia neles.
É uma lembrança especialmente útil em um momento em que ferramentas de automação comercial se multiplicam.
Antes de automatizar o funil de vendas, vale perguntar se o funil realmente funciona.
Ross também destacou algo que continua difícil de automatizar ou copiar: a construção de relações.
“Nada acontece mais rápido que a velocidade da confiança”.
4. Fazer mais não significa necessariamente produzir melhor
Outra discussão colocou a produtividade sob uma perspectiva diferente.
Michelle Prazeres, fundadora do Instituto Desacelera, e Renata Rivetti, pesquisadora da ciência da felicidade, discutiram os efeitos de uma cultura na qual praticamente cada minuto precisa ser transformado em desempenho.
O ponto não é defender empresas mais lentas. É entender que velocidade, volume e produtividade não são necessariamente a mesma coisa.
Renata citou estimativa da Gallup segundo a qual exaustão, baixo engajamento e a consequente perda de produtividade representam um impacto de US$ 10 trilhões para a economia global.
A discussão também deslocou parte da responsabilidade do indivíduo para a organização. Descanso, foco e saúde organizacional não dependem apenas de cada profissional aprender a administrar melhor suas 24 horas. Lideranças também precisam avaliar volume de demandas, prazos e a forma como o trabalho está organizado.
Para quem lidera equipes, há uma provocação simples: antes de pedir mais velocidade, vale avaliar se todas as urgências realmente precisam ser urgentes.
O que esses insights deixam para as empresas
As palestras partiram de assuntos diferentes, mas deixam quatro perguntas bastante objetivas para quem está à frente de um negócio.
A empresa está investindo tanto em novas ferramentas que começa a deixar sua marca em segundo plano? Está olhando apenas para os concorrentes tradicionais ou para tudo aquilo que disputa o tempo do consumidor? Está automatizando processos antes de verificar se eles funcionam? E está confundindo velocidade com produtividade?
Para Gustavo Teixeira, diretor de Marketing da NSC, essa capacidade de separar novidade de transformação é um dos aprendizados relevantes do SP2B para o mercado catarinense.
“Em um evento com tanta discussão sobre tecnologia e transformação, alguns dos melhores insights aparecem quando voltamos para questões muito concretas do negócio. Marca, experiência, vendas, foco e produtividade continuam determinando resultado. Para as empresas catarinenses, o desafio é entender rapidamente o que está mudando e usar as novas ferramentas para potencializar aquilo que realmente gera valor, sem transformar inovação em uma corrida para simplesmente fazer mais”.
A presença da NSC, afiliada da Globo em Santa Catarina, no SP2B também tem esse propósito: acompanhar de perto movimentos e discussões que estão transformando empresas, comunicação e comportamento e conectá-los à realidade do mercado catarinense.
Em meio a tantas novidades, talvez um dos aprendizados mais úteis seja também um dos mais simples: nem tudo precisa ser acelerado. O primeiro passo é saber exatamente o que vale a pena acelerar.