SP2B: confiança, brasilidade e a força do ao vivo marcaram o Summit Globo
11/08/2026O Summit Globo, realizado nesta segunda-feira (10) durante o SP2B — São Paulo Beyond Business, colocou no centro da conversa um tema que ganhou novas dimensões nos últimos anos: a influência. Gustavo Teixeira, diretor de Marketing da NSC, acompanhou o encontro no Parque Ibirapuera, em São Paulo, e conta alguns dos principais destaques de uma tarde dedicada a entender como as transformações no comportamento das pessoas estão mudando também a relação entre marcas, conteúdos e consumidores.
Na abertura, William Bonner deu o tom das discussões ao convidar o público a refletir sobre o que chamou de “o momento mais transformador que a comunicação já viveu”.
Na sequência, Manzar Feres, diretora de Negócios Integrados em Publicidade da Globo, trouxe a confiança para o centro dessa transformação.
“Hoje já não basta ser visto. Também não basta estar em todos os lugares. Para influenciar, de fato, é preciso construir confiança”, afirmou. Segundo ela, essa confiança é construída todos os dias, com “frequência, permanência e consistência”.
A partir daí, o Summit percorreu diferentes dimensões dessa transformação: a fragmentação da atenção, a força das experiências ao vivo, a construção de credibilidade em um ambiente marcado pela desinformação e pela inteligência artificial, a diversidade cultural brasileira e as mudanças de comportamento que estão redesenhando o país.
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Quanto mais fragmentada a atenção, maior a força do ao vivo
Um dos primeiros debates, “Influência e reverberação: como simultaneidade virou a escala que molda a cultura”, partiu de um aparente paradoxo: nunca tivemos tantas possibilidades de consumir conteúdo individualmente e, ao mesmo tempo, os momentos capazes de reunir milhões de pessoas em torno da mesma experiência se tornaram ainda mais especiais.
“A atenção está cada vez mais fragmentada e, ao mesmo tempo, experiências coletivas ficaram mais raras”, resumiu Kenya Sade, que mediou a conversa.
O painel reuniu Tadeu Schmidt, Renata Silveira, Rodolfo Medina, presidente executivo do Grupo Dreamers e CPO da Rock World, e Joana Chulam, diretora de Mídia do Mercado Livre, para discutir a capacidade de eventos como grandes competições esportivas, reality shows e festivais de música de gerar conversas que começam no ao vivo e se espalham pelas diferentes plataformas.
Para as marcas, a simultaneidade ganha um valor especial: estar no centro da conversa no momento em que ela acontece, falando com muitas pessoas ao mesmo tempo e ampliando rapidamente a repercussão para outras plataformas. É uma das forças da televisão e dos grandes conteúdos ao vivo — transformar audiência em experiência coletiva, conversa e relevância.
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Influência sem confiança perde valor
A confiança atravessou boa parte das discussões do dia. Uma das provocações apresentadas por Tadeu Schmidt sintetizou o desafio: “Ser influente num mundo em que a atenção dura poucos segundos, mas a confiança precisa de tempo e consistência para ser conquistada.”
Essa reflexão ganhou ainda mais força no painel “Influência e confiança: o valor da credibilidade na era da complexidade”, que reuniu Drauzio Varella, Marie Santini, diretora e fundadora do NetLab/UFRJ, e Pamela Vaiano, diretora de Comunicação Corporativa do Itaú Unibanco, com mediação de Poliana Abritta. O debate abordou o papel da credibilidade, da responsabilidade e da curadoria humana em ambientes cada vez mais fragmentados e impactados pela inteligência artificial.
Para Poliana, confiança não nasce simplesmente de alcance ou exposição. “Credibilidade e confiança são ativos conquistados. É trabalho, é trabalho, e são inegociáveis”, afirmou, destacando a importância da apuração, da busca pela informação e da cautela.
Drauzio Varella levou a discussão para um dos efeitos mais concretos desse novo ambiente: a desinformação. Ao falar sobre saúde, reforçou a necessidade de confirmar informações e buscar fontes confiáveis diante da quantidade de conteúdos falsos que circulam na internet.
O médico também chamou atenção para golpes digitais que usam sua imagem para comercializar falsos medicamentos e criticou a atuação das plataformas na veiculação de conteúdos fraudulentos impulsionados. “Essa questão da internet, das notícias falsas, nós não temos ainda defesa contra isso”, afirmou Drauzio.
A discussão levanta também um alerta para as marcas: quando conteúdos fraudulentos ou de baixa credibilidade encontram espaço para circulação e impulsionamento, o ambiente digital se torna mais inseguro não apenas para os usuários, mas também para empresas que associam sua reputação a essas plataformas.
O debate reforçou uma mensagem que atravessou o Summit: quanto mais fácil se torna produzir, distribuir e amplificar conteúdo, mais valiosa se torna a confiança em quem está por trás da informação — e também no ambiente em que ela circula.
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Não existe um único Brasil
Outro eixo importante do Summit foi a brasilidade. O painel “Influência e brasilidade: a potência do transbordo cultural” discutiu como comportamentos, linguagens e expressões culturais atravessam fronteiras geográficas e midiáticas, gerando identificação e influência nas diferentes regiões do país.
Entre os participantes estava Felipe Nunes, CEO da Quaest, que trouxe os dados como instrumento para compreender a diversidade brasileira.
Segundo ele, entender o país exige reconhecer suas diferenças regionais e ouvir com rigor o que os vários Brasis têm a dizer. “A gente só é capaz, de fato, de entender essa diversidade que explica o Brasil por meio de dados rigorosos, criteriosos”, afirmou.
Nunes também apontou quatro grandes transições que ajudam a compreender o Brasil de hoje e antecipar o de amanhã: a demográfica, marcada pelo envelhecimento da população; a religiosa; a informacional, com um consumo de conteúdo muito mais fragmentado; e a transformação dos padrões de gênero, com um protagonismo crescente das mulheres.
E resumiu uma das consequências dessas mudanças em uma frase: “Sem entender as mulheres, a gente não vai entender o futuro.”
O que fica do Summit Globo
Para Gustavo Teixeira, as discussões mostraram que acompanhar inovação não significa apenas observar novas tecnologias. Significa compreender como tecnologia, cultura e comportamento estão alterando a maneira como pessoas se informam, se relacionam com marcas e tomam decisões.
“Um ponto que apareceu de diferentes formas ao longo do Summit é que influência não pode mais ser confundida apenas com alcance. Em um ambiente de atenção fragmentada e abundância de conteúdo, confiança, relevância cultural e capacidade de entender as pessoas ganham ainda mais valor. Para quem trabalha com marcas e negócios, é uma discussão que vai muito além da comunicação”, afirma Gustavo Teixeira, diretor de Marketing da NSC.
A presença da NSC no SP2B tem justamente esse propósito: acompanhar de perto as transformações que estão sendo discutidas, identificar o que pode efetivamente impactar empresas e mercados e fazer uma curadoria dessas tendências a partir da realidade catarinense.
O SP2B segue até 16 de agosto, reunindo diferentes trilhas de conteúdo, experiências e encontros no Parque Ibirapuera, em São Paulo.